
A queda para a segunda divisão do Campeonato Baiano de 2027 entra, até então, para a história como a pior campanha do Atlético de Alagoinhas desde a sua fundação. Cinco derrotas, dois empates e apenas três pontos conquistados em 24 disputados. Um desempenho que não deixa margem para justificativas técnicas ou atribuição ao acaso: foi fracasso esportivo e má administração.
Mas como se não bastasse o rebaixamento, a “diretoria” conseguiu ampliar a crise ao decidir transferir o mando de campo da próxima partida de Alagoinhas para o Estádio Metropolitano de Pituaçu, deixando de lado o tradicional Estádio Antônio de Figueiredo Carneiro, o Carneirão – casa histórica do Carcará. O que era apenas um desastre dentro das quatro linhas tornou-se também uma crise de identidade fora delas.
Com o rebaixamento histórico e gestão questionável, a campanha ridícula que levou o Atlético à Série B do Baianão não foi obra do acaso. Esta foi resultado de planejamento falho, decisões equivocadas e um futebol que jamais convenceu.
O torcedor suportou derrotas, atuações apáticas e a lanterna da competição. O que talvez não estivesse preparado para suportar fosse a sensação de distanciamento da própria diretoria, que, ao invés de se aproximar da cidade no momento mais delicado, optou por afastar o clube de sua casa, para assim fugir das críticas.
Pituaçu não pode ser justificada como estratégia financeira, porque o Atlético não possui torcida lá, mas soa forte que essa atitude é um desrespeito e/ou desprezo ao torcedor. A ida para Pituaçu pode até encontrar justificativas administrativas: melhor estrutura, expectativa de maior renda ou acordos comerciais. No papel, pode indicar ser estratégico. Mas, na prática, significa um flagrante desrespeito ao torcedor alagoinhense que espera o ano inteiro para ver em sua cidade as principais forças do futebol baiano, como Esporte Clube Bahia e Esporte Clube Vitória. São jogos que movimentam a economia local, fortalecem a identidade do clube e aproximam a comunidade do time. *Leia esta reportagem completa no site Fala Gomes, parceiro do APO.
